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Modelo de cotas da Unicamp para trans é incoerente, diz Gazeta

foto: Julia Prado MS

Liderado por movimentos de esquerda, em 1º de abril de 2025, o Conselho Universitário da Unicamp (Consu) decidiu, por unanimidade, estabelecer um sistema de cotas voltado para pessoas trans, travestis e não-binárias.

A medida se aplica apenas aos cursos de graduação. Além disso, beneficia os vestibulandos que optarem por ingressar na universidade utilizando o Enem. Essa política se junta às reservas de vagas já existentes, destinadas a candidatos pretos, pardos e indígenas.

As vagas serão oferecidas para alunos de escolas públicas e privadas que prestarem o Enem-Unicamp a partir do próximo vestibular. Cotas para trans e não-binários: a nova política da Unicamp

Como as vagas serão distribuídas?

A medida estabelece regras claras: cursos com até 30 vagas regulares reservarão pelo menos uma para essa população, enquanto aqueles com mais estudantes garantirão no mínimo duas. 

‍Essas vagas podem ser adicionais ou retiradas da ampla concorrência, com metade destinada a candidatos pretos, pardos e indígenas que também se enquadrem nas cotas. 

Para concorrer, os candidatos precisarão se autodeclarar trans, travesti ou não-binário na inscrição e apresentar um relato de vida, que será avaliado por uma comissão especializada. A política será reavaliada daqui a 5 anos, podendo ser suspensa ou continuada a partir dos resultados alcançados.

Trans, não-binários e travestis nas universidades

Atualmente, 10 universidades federais já estabeleceram políticas similares, guardando vagas para alunos trans. Segundo informação da Comvest, no Vestibular 2025, um total de 279 pessoas se inscreveram com nome social, e 40 foram convocadas. 

Os cursos mais procurados por esse grupo foram Artes Visuais, Ciências Biológicas e Medicina, mostrando a diversidade de interesses entre os futuros universitários.

Movimentos de esquerda fizeram pressão pela aprovação

A proposta nasceu após a pressão feita por uma articulação entre movimentos ligados à esquerda estudantil, como o Ateliê TransMoras e o Núcleo de Consciência Trans, após a greve discente de 2023. Os movimentos estudantis ligados a essas ideias têm muita influência dentro das universidades, tanto no Brasil como no resto do mundo.

Segundo o editorial publicado pelo jornal Gazeta do Povo, a adoção das novas cotas acendeu o alerta sobre a proporcionalidade do modelo. Em cursos com menos de dez vagas, uma única reservada representaria mais de 10% do total, superando em cinco vezes a estimativa populacional apresentada pela própria universidade.

Além disso, a Unicamp não forneceu evidências de que esse grupo enfrenta barreiras específicas de acesso ao ensino superior público. Portanto, a ausência de comprovação de desvantagem educacional concreta compromete o argumento de que a nova política se enquadra como ação afirmativa.

O avanço de critérios identitários, sem parâmetros educacionais concretos, levanta questionamentos sobre o equilíbrio entre inclusão e mérito. Acima de tudo, o novo modelo adotado pela Unicamp pode abrir precedentes para políticas que, embora apresentadas como mecanismos de justiça social, resultem em novas formas de desigualdade no acesso ao ensino superior público.  

Fonte: Jornal Gazeta do Povo e Revista Oeste

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